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Na noite de ontem (5/4), o participante do BBB21 João Luiz, expôs uma situação em que o cantor sertanejo Rodolffo fez um comentário racista em relação ao cabelo dele. Tudo começou quando no último domingo, ao receber o castigo do monstro, Rodolffo comparou a peruca da fantasia de homem das cavernas com o cabelo de João. O professor ficou incomodado com a colocação de Rodolffo e expressou seu descontentamento com a situação no programa ao vivo.

A acusação de racismo movimentou a internet ontem, gerando muitos comentários negativos com relação a postura do professor. Diversas pessoas defenderam o cantor, segundo elas Rodolffo não teria feito o comentário por mal.

A problemática desse caso nos faz enxergar o quanto a nossa sociedade, em geral, insiste em não reconhecer o racismo, pelo fato do comentário ter sido feito em um tom “sútil” ou em forma de piada. O nome que melhor define esse caso é: racismo recreativo. É aquele comentário que é feito com um teor “humorístico” mas contribui para que a discriminação de pessoas negras continue ativa dentro da sociedade.

Em entrevista para a Carta Capital o Professor Doutor pela Universidade de Harvard em Direito Antidiscriminatório, Adilson Moreira, explica melhor sobre essa definição. “O conceito de racismo recreativo designa uma política cultural que utiliza o humor para expressar hostilidade em relação a minorias raciais. O humor racista opera como um mecanismo cultural que propaga o racismo, mas que ao mesmo tempo permite que pessoas brancas possam manter uma imagem positiva de si mesmas.” Confira a entrevista na íntegra.

A piada de mau gosto feita pelo cantor foi justificada pelo mesmo, com o argumento de que ele cresceu em um ambiente onde isso era comum e ele não teve acesso à informação. Porém, isso soa muito como uma falta de vontade para buscar conhecimento e entendimento de questões básicas sobre o racismo. Ele é um homem com um alto poder aquisitivo, influência e acesso à informação e se quisesse teria buscado conhecimento sobre o assunto. A realidade é que com pouco mais cinco minutos de pesquisa no Google, é possível entender o mínimo para não cometer erros desse tipo.

Outra coisa que chama atenção foi o fato que o cantor ao ouvir o João se posicionar não demonstrou nenhum tipo de arrependimento, e sim justificou o comentário com a fala “Se todo mundo observou como era a peruca do monstro, acredito eu que era um pouco semelhante”. Ele justifica o comentário ao invés de aceitar o seu erro e imediatamente pedir desculpas. A polícia do Rio de Janeiro afirmou que irá investigar o comentário racista do cantor.

É preciso que pessoas brancas entendam que não basta afirmar “o racismo é ruim”, é necessário que todos estejam envolvidos na luta antirracista. Essa não é uma pauta exclusiva de pessoas pretas e sim da nossa sociedade como um todo. É indispensável que haja empatia pelo outro em momentos como esse, entender que a dor do outro não é menor porque não te afeta.

Racismo não é mimimi, não é encenação, não é vitimismo.


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